Reflexões de um sol sustenido.

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Vez ou outra noto que a vida se assemelha a partitura de uma música. Toda uma sequência de notas que deve ser tocada no modo certo, ao seu tempo certo. Se o músico errar a nota ou tocar no tempo errado a música sai do ritmo e acaba por irritar quem ouve. As notas na partitura são os eventos da vida que são pre estabelecidos antes mesmo de você nascer, coisas simples que passam batido na vida como: formatura da alfabetização, primeiro beijo, primeiro namorado ou namorada. Como se cada uma dessas notas fossem as notas mais agudas da canção. Agora imagine quais seriam as notas mais graves, talvez um diploma de nível superior, um carro novo, um apartamento de classe média ou até mesmo um casamento. Gosto de pensar que as notas mais altas são os acontecimentos da vida que fogem da rotina. Uma noite bêbada em Amsterdã, um café da manhã em Paris, um passeio de barco em Veneza ou um pôr do sol no Egito. Coisas que fazem a vida valer a pena. Imagine que exista uma música padrão para todos os seres humanos do universo e cada um deles é um músico tocando sua música. Alguns vão mudar suas próprias notas, outros vão acrescentar notas, uns vão tirar, outros vão tocar a música inteira, alguns só pela metade, alguns nem mesmo começarão. Uns terão muitas notas graves, outros mais agudas, alguns terão um pouco de tudo. A platéia irá julgar qual música soa mais interessante aos ouvidos. Alguns músicos ligarão pra opinião da platéia, mas outros vão fingir que nem ouviram, afinal, a música é sua e não da platéia. Só lamento pelos o que optaram por deixar sua música do jeito que recebera. Com todas as suas notas pré-estabelecidas e sem coragem ou percepção pra fazer algum questionamento. A vida é uma só e uma vez que cante, não tem como voltar atrás. Faça o que achar melhor e não o que a platéia julga coerente. Nunca é tarde pra reescrever sua partitura e fazer da sua vida uma verdadeira obra de arte digna de entrar nos cem discos para ouvir antes de morrer.

Nota

Professores.

Outro dia estava pensando sobre como os professores sofrem,  não damos o devido valor e achamos os pobres coitados umas malas sem alças, mas ninguém para pra pensar no sofrimento que essa pessoa já passou pra estar ali dando aula pra trinta adolescentes remelentos que se acham o dono da razão e não conseguem calar a boca por cinco minutos. A pessoa passa  seis ou sete anos estudando, se aperfeiçoando, se sacrificando, aprendendo a história do mundo inteiro ou tudo sobre os números e se prepara todo pra poder dar aula aí chega na sala e o caos está instalado. É aluno abaixando a calça do outro, é um fedelho correndo pela sala, são outros andando pelo corredor, é uma que foi no banheiro molhar cabelo ou passar batom, são 5 ou 6 dormindo ai depois de 20 minutos a paz tá reinando na sala e o dito cujo vai começar a dar aula e não dão cinco minutos e tem um amaldiçoado ali no canto rindo e conversando no meio da aula e atrapalhando não só a explicação do professor mas um desenvolvimento de um pensamento que ele tava começando a ter e que por causa desse pensamento ele ia lançar um livro, ficar famoso e largar a sala de aula e assim deixar a vida de todos os alunos em paz. Mas, infelizmente, o amaldiçoado do aluno resolveu conversar sobre a baladinha de sexta feira justo agora na hora da aula, poxa vida que pena. Quer dizer, ninguém para pra se colocar no lugar do pobre do professor que além de tudo ainda ganha um salário que mal dá pra alimentar as crianças. Ai o dito cujo tá lá dando o último horário do dia, sobre sei lá… Evolucionismo, aí tem uma mala que fica teimando que foi Deus com sua varinha mágica que criou tudo. Nada contra ela achar que Deus criou o mundo, mas minha filha tu já parou pra pensar que ele tá sendo pago pra te mostrar as duas versões da história? Ele não tá ali pra ser convencido ou não. Ele só tá ali pra falar o que ele tem pra falar e pronto fica na tua. Ainda fico pensando nesse pessoal que resolveu vira professor por motivos: mudar o mundo, ser a inspiração de alguém ou coisa do tipo. Uns eu sei que ainda conseguem e fico até feliz por eles, mas e os que não conseguem que caem na maioria? Bom, se eu fosse professora iria colocar aluno no milho.

– Professor, não olha agora… mas o senhor sentou no chiclete e sua calça tá suja.

PEGA MOLEQUE!

Uma divagação sobre batatas.

Mas o que é a felicidade? Onde está Will Smith pra me responder o que é a tal felicidade? Já pararam pra perceber que a felicidade é mais procurada que bilhete premiado da loteria? A vida é um eterno escambo. Você dá coisas e recebe outras. Se você dá batatas o que se espera é receber coisas melhores que batatas, mas como a vida se chama a vida ela tem que cumprir o dever moral e lógico de te dar cenouras estragadas com verrugas esquisitas. A seguir vem a pergunta que não quer calar: o que fazer com essas cenouras estragadas com verrugas esquisitas? Os otimistas vão tentar aproveitar e fazer um belo purê de cenoura, os pessimistas vão jogar as cenouras fora e as pessoas como eu, vão simplesmente olhar pras cenouras e deixar elas lá onde estão. Outra pergunta que não quer calar é porque receber cenouras estragadas se você deu suas melhores batatas pra pessoa? Qual o problema dessa pessoa em não gostar das suas batatas? Você passou anos e anos cuidando dela com todo amor e carinho. Fugiu do forró, colocou ela pra ouvir The Strokes. Evitou o Fast food e colocou ela pra comer Salada, leu Clarice Lispector e  Bukowski. Baixou a discografia do Chico Buarque, nunca ouviu, mas pelo menos baixou. Você passa a vida inteira polindo a batata e ela simplesmente é jogada no lixo junto com outros vegetais e tubérculos. Do que adianta você dar batatas se a pessoa não tá interessada. Ela quer uma pimenta do reino. E essa pimenta do reino vai irritar os olhos dela, mas quem liga? ela vai continuar querendo a pimenta do reino, não importa se a pimenta do reino gosta de sertanejo universitário, se ela lê revista capricho e assiste domingão do Faustão. A felicidade então é encontrar alguém que goste de batatas e que te encontre em um momento que você tem batatas para oferecer? Vai que a batata tá em falta, você encontra a pessoa perfeita que adora uma batata, mas você está com a batata em falta. Só tem a oferecer umas leguminosas que ninguém gosta e ninguém quer, mas mesmo assim você oferece as leguminosas pela metade do preço e ela aceita assim, suas leguminosas estragadas do jeito que você ofereceu. Será se está aí a tal felicidade? Talvez sim, ou talvez não para o feirante que está perdendo dinheiro com a falta de batatas. Talvez essa divagação toda seja inútil e a felicidade esteja em pequenas coisas na vida, como uma poção de batatas fritas de uma grande rede de Fast Food.

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“A Hebe morreu? Nossa, nem caiu a ficha ainda ”

O sol bate na janela, você desperta e segue uma rotina matinal antes de ir para o trabalho ou para a escola, o dia segue normal e a noite também, ao chegar em casa se é abordado por dois ladrões que te metem uma facada tetânica e  morre, simples assim. Vocês já pararam pra perceber como a vida é mais curta que a lista de ateus em um avião caindo? Você passa a vida estudando, cuidando do corpo, dos cabelos, tomando vitamina c, se preocupando com a imagem que os outros têm da sua pessoa, criando sonhos, tentando atingir objetivos e… capof, do nada você é atropelado por um caminhão de galinha, engasga comendo amendoim, tem um susto e morre literalmente de susto, morre eletrocutado com o secador que caiu na banheira enquanto se tomava um banho relaxante de espumas depois de um estressante dia de trabalho do qual você está refletindo porque não pulou no pescoço da vagabunda que roubou seu cliente. Já pensaram nisso? Em como vocês irão morrer? Quando? O que vai estar no topo da sua timeline? Imagina que tem um tweet super babaca bem no topo e vão pensar logo: Hm, essa aí era babacona, fez bem ter morrido mesmo e nem vai fazer falta. Já pensou? Eu não quero morrer e acharem que eu era babacona, na verdade nem morrer eu quero, pelo menos não agora. Eu sou jovem demais e não fiz metade das coisas que as pessoas normais são obrigadas a fazer. Eu ainda não dei uma volta ao mundo, tive um relacionamento sério duradouro, não ajudei os pobres e nem beijei o Brad Pitt.

Joy morreu mesmo? Nossa, tão jovem…  a ficha ainda nem caiu, outro dia mesmo olhei ela twittando sobre a irmã que comeu o pudim dela… trágico.

Um pouco de ácido ascórbico.

Peguei uma gripe. Não, a gripe me pegou. Uma gripa mais violenta que a favela da rocinha me pegou. Cá estou eu tomando um copo de ácido ascórbico e admirando a pastilha se dissolver na água. O que me faz lembrar do meu coração. Todo mundo precisa de ácido ascórbico, ele favorece na formação de dentes e ossos e previne gripes e doenças. Bom, nem todo mundo precisa do meu coração, mas eu preciso dele e mesmo precisando dele já quis dá-lo pra algumas pessoas porém não quiseram, então ele continua aqui comigo. Voltando a admiração da pastilha se dissolvendo na água, vejo que essa pastilha é como meu coração, que ao longo do tempo foi e está sendo diluído e a água seria duas moléculas de decepção e uma de mágoa. Agora imagina um copo cheio de H²o. Agora imagina meu coração lá no meio sendo dissolvido. Sim, ele está virando um nada. É muita água pra pouca pastilha nessa vida.  As águas não acabam nunca, porém a pastilha de ácido ascórbico é só uma.  No final, tudo se resume ao encontrar a outra metade da laranja. ( Onde tharan! Tem ácido ascórbico. ) Só que meus caros amigos, o mundo já está cheio de laranjas, chupadas, degoladas e estragadas. No meio de tantas laranjas destruídas a gente tenta encontrar uma mais ou menos, que se cortar de um lado ainda pode render um delicioso suco. Uma laranja que se encaixe junto com a nossa, que vale admitir não está em perfeito estado, mas que também ainda pode render uma bela laranjada. Bom, agora chega… agora eu tenho que tampar o nariz e beber toda essa mágoa misturada com decepção. A cura me espera.

Meu nome é Joy, Joy Murphy…

Sair da cama e enfrentar o mundo lá fora não é uma tarefa nada fácil. Sair da cama sabendo que ao enfrentar o mundo lá fora você saber que vai se ferrar de todas as formas possíveis é uma tarefa pior ainda. O despertador tocou, marcava sete horas de uma terça feira ensolarada até demais pro meu gosto. Não adiantou nada, não tinha dormido nada a madrugada inteira. Entrei na internet e comecei a procurar algumas coisas pra fazer, o relógio marcou dez horas (e um sol infernal) e nada de interessante. Peguei no sono e acordei atrasada pra aula. O clima lá fora e o inferno se colocasse um do lado do outro não se via diferença. Cheguei atrasada pra aula… ou pra aula que eu teria se  soubesse que  não teria primeiro horário. Me apressei pra nada, nem tinha almoçado por falta de tempo. Não tive primeira aula, tampouco segunda… não tive aula o dia inteiro. Saí de casa literalmente pra nada. Voltei pra casa, cheguei e me dei conta que tinha esquecido as chaves. Bati, bati… ninguém atendeu, é claro.

Um vizinho passou e se comoveu com a minha situação, sentei na calçada e e ele sentou há alguns metros de distância ( será se eu tava fedendo? ) e começou a falar aleatoriedades: o novo filme do Batman, a novela avenida brasil, Gabriela, o dvd da lagoa azul, o vizinho dele que ficou preso no portão elétrico, o assalto da sobrinha dele, convite para ir a igreja. Eu só confirmava com a cabeça e ria, ria pra não chorar pois o mau hálito tava chegando até o meu singelo espaço na calçada que chamei de banco. Duas horas se passaram e meu pai chegou. Abriu o portão e entrou com o carro, saí correndo para entrar e fiquei presa entre a parede e portão… ( Meu Deus, acho que já vi essa história antes. ) Ainda são dez e quarenta da noite e esse dia ainda pode ficar pior, acredite. Porque meu nome é Joy, Joy Murphy e Florence que me desculpe, mas os dias que dog are not over.

Procura-se um amor que goste de cachorros.

Outro dia me peguei zapeando os canais da TV e me deparei com um filme sendo exibido em um canal qualquer. ~Procura-se um amor que goste de cachorros.  A primeiro momento achei muito curioso o título e resolvi assistir. O filme é basicamente sobre uma solteirona que resolve colocar um anúncio no jornal para achar um pretendente e sua única condição é que o rapaz em questão goste de cachorros. Agora eu me pergunto, porquê cachorros? Será se essa mulher não se tocou que 90% da humanidade gosta de cachorros?  e que ninguém gostava era DELA. A problemática da situação era ela e não os cachorros. Deixe os cachorros em paz. Eles são amáveis por natureza. Mas e você, mulher do filme? Quem tava solteirona era você. Mudasse o título pra ”Procura-se um amor que goste de mim”, mas se a situação estivesse crítica demais, não se precisava nem exigir muito. ” Procura-se um amor ” Já bastava. No mundo em que se vive hoje não tá dando pra escolher muito. Eu por exemplo, se fosse produzir esse filme colocaria no título apenas ”Procura-se ” Porque daí o que cair na rede é peixe e tudo é lucro. Juntamente com o título mudaria também a categoria. Comédia romântica é uma redundância. O romantismo em si já é uma tragédia, tragédias são engraçadas, logo ”Comédia romântica” ao meu ver, não passa de uma redundância. Assim como: Final feliz (Se é final, é claro que não é feliz. Se fosse pra ser feliz, seria ”continuação feliz”).  E o filme? Ah, o filme. Preciso falar que ela conseguiu achar alguém que gostasse de cachorros? Não, né?

Filme!

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